Estou a uma semana com o plano de banda larga da Claro, adquirido com o modem ZTE MF622 (neste outro post fiz um pequeno tutorial explicando como configurá-lo no Ubuntu). Depois de uma semana de uso estou aqui escrevendo (a pedido de alguns amigos) um pequeno relato sobre o serviço da operadora.
O primeiro dia praticamente foi perdido para configurá-lo corretamente no Ubuntu, testei diversos tutoriais encontrados na internet e cada um explicava de forma diferente como fazer o modem funcionar. Não resolveu meu problema de primeira, mas serviu para conhecer melhor o modem e a tecnologia até que encontrei a receita que deu certo, tirando um pouquinho de um e de outros.
Quando consegui estabelecer a primeira conexão foi uma festa. Abri o Firefox e comecei a navegar nos primeiros sites utilizando a conexão 3G. Fiz um teste de velocidade e percebi que não estava utilizando próximo de 10% da velocidade contratada, o que foi comprovado quando resolvi dar um wget de um ISO do Ubuntu. A taxa de download estava em 23Kb/s. Bom, ter uma conexão assim é melhor que nada.
Não liguei para o suporte da Claro porque tinha certeza que não dariam suporte ao GNU/Linux, então resolvi pesquisar muito na internet e encontrei diversas “receitas” que prometiam uma melhora na conexão. Muitas estavam vinculadas às configurações do discador e muita, mas muita gente reclamando de instabilidade. Na minha casa quando a conexão é estabelecida, o acesso fica excelente por uns 5 minutos, logo depois começava a instabilidade chegando ao ponto de não navegar nem pingar IP algum.
Resolvi fazer um teste em outro local. Fui até uma Starbucks próxima a Avenida Paulista e chegando lá, a grande surpresa: a conexão estava excelente. Fiquei conectado por quase 3 horas sem nenhuma instabilidade. Os downloads eram feitos a taxas que variavam entre 100 e 180Kb/s e sem latência alguma. Um pouco antes de ir embora o sinal simplesmente sumiu. Olhei no meu celular e percebi que também estava sem sinal. Concluí que poderia ser algum problema com as ERBs (Estações de Rádio Base) que faziam a triangulação da área em que estava conectado. Como já estava tarde, desisti de tentar reconectar e fui embora.
Conclusão
A qualidade do serviço ainda está variando bastante, depende muito das ERBs em que o usário está conectado. Infelizmente na minha casa não tenho sorte de ter uma boa conexão e detalhe é que moro em uma região central.
Dicas para usuários de Ubuntu (e outras distribuições)

Ontem resolvi comprar o modem USB para usar conexão banda larga pela minha operadora de celular
. Fui sem muito receio, pois já li vários relatos de compatibilidade entre esses modems e o Ubuntu. Depois de quase uma hora para ser atendido, chegou minha vez e por sorte, ainda tinha dois modems disponíveis (esse negócio deve estar vendendo como água). Depois de mais uma hora em burocracias e assinatura de vários documentos, saí da loja com o modem e fui correndo para casa testar o novo brinquedinho.
Quando pluguei o modem no notebook, veio a primeira surpresa. O dispositivo foi reconhecido como uma unidade de disco e não como modem. No início achei que poderia ser problemas com o dispositivo, mas depois de algumas consultas no Google, verifiquei que esse é um procedimento normal. A explicação mais lógica é o fato de usuários Windows poderem instalar o seu driver quando o dispositivo é conectado pela primeira vez, mas de certa forma o dispositivo ignora usuários de outros sistemas operacionais. Junto com o Kit da Claro, vem um CD para instalação em Mac OSX, mas os usuários de GNU/Linux são totalmente ignorados.
Na hora fiquei um pouco decepcionado, mas depois de mais alguns minutos de consultas no Google, encontrei diversas receitas e fui testando sem sucesso a maioria. Até que cheguei na página de uma ferramenta chamada usb_modeswitch e nessa página, minha esperança de fazer o modem funcionar com sucesso no Ubuntu. De fato esse foi o caminho que deu certo e faz dest post uma prova (estou escrevendo esse post usando a conexão da Claro 3G).
Como o modem é reconhecido no sistema como uma unidade de disco, é necessário fazer uma manobra para desmontá-lo e montá-lo como um modem e dessa forma poder se conectar à internet. A instalação de alguns pacotes e uma pequena alteração no sistema é necessária para fazer tudo funcionar perfeitamente. Os passos que segui e deram certo foram o seguinte:
Instale a libusb-dev em seu sistema (aptitude install libusb-dev);
Baixe a última versão do usb_modeswitch aqui;
Descompacte o pacote e compile seu conteúdo (execute o ./compile.sh);
Copie o binário usb_modeswitch para /usr/local/sbin;
Copie o usb_modeswitch.conf para /etc
Edite o /etc/modeswitch.conf e procure pelo bloco do MFS622, descomente todo seu conteúdo (remova o “;” que aparece no início de cada linha). Comente ou apague todo o restante do arquivo, deixando apenas esse bloco. Se preferir, baixe o meu arquivo pronto aqui.
Baixe esse arquivo e grave como /etc/udev/rules.d/15-zte-mf622.rules (esse arquivo é bastante útil, pois quando você espetar o modem na entrada USB, ele vai automaticamente desmontar o volume de disco e fazer o seu sistema reconhecer como um modem USB. É recomendado rebootar a máquina para continuar porque todo o udev é lido durante o boot da máquina).

Finalmente é hora de testar a conexão, plugue o modem em seu computador, fique monitorando via /var/log/messages se o dispositivo será reconhecido como unidade de disco. Se tudo der certo, dentro de uns 5 segundos vai aparecer no messages a mudança do dispositivo do disco para modem USB. Feito isso, basta digitar o comando pon claro e continuar monitorando se vai conectar com sucesso. No messages vai aparecer o momento em que a conexão for estabelecida e qual IP foi atribuído à sua conexão PPP.
Essa foi a via crucis que segui para fazer o modem funcionar perfeitamente no meu Ubuntu, provavelmente a mesma técnica sirva para outras distribuições. Depois disso você pode criar um ícone em sua área de trabalho para fazer o pon claro automaticamente. Para desconectar, basta um poff claro.
Uma dica: se por acaso não conseguir conexão, volte no pppconfig, edite a conexão claro, vá até o menu de opções avançadas e mude a string de inicialização de ATZ para apenas AT. Em vários outros artigos eu encontrei diversas strings, no meu caso funcionou apenas com a técnica explicada nesse post.
Alguns comentários sobre a conexão:
Eu esperava mais em termos de performance, mas a conexão quebra o galho em lugares que não tem outra alternativa. Notei uma certa instabilidade, como ficar alguns minutos sem sinal algum, mas o sinal vai voltando e a performance melhorando em ciclos. Acredito que o serviço ainda é novo e a rede está passando por diversos upgrades, pelo menos ter uma conexão assim é melhor que nada em locais onde não há alternativas.
Atualização
Se você usa ou planeja utilizar o Ubuntu 8.10 (Intrepid Ibex), as instruções são bem mais simples. Veja como configurar o ZTE NF622 no Ubuntu Intrepid.